Associação Brasileira de Educação Corporativa

A arquitetura da colaboração

Uma breve discussão baseada no contexto da inovação como forma de mudança organizacional e o novo comportamento social corporativo focado na Web 2.0

 

A construção da colaboração entre usuários na web é algo amplamente comentado, e discutir sobre isso atualmente parece até um clichê. O assunto se estendeu ao mundo corporativo e a conversa gira em torno dos benefícios que a gestão colaborativa traz aos empregados. Sem dúvida, a inovação já está aí, e apresenta-se como uma oportunidade de melhorar a interação entre funcionários e chefes, em meio à hierarquia dissipada e à conquista do espaço democrático do conhecimento. Não existe um relacionamento sem troca, seja de informação ou novos dados que intervêm na realidade das pessoas. A pluralização do virtual, ou seja, a web que funciona para todos, integrou-se à cultura da sociedade e está além de qualquer modismo.
Para Derrick Derckhove (1997), essa pluralização citada é, de certa maneira, um “efeito borboleta”: a mínima ação que você faz pode mudar toda a estrutura do contexto. Para quem vive a comunicação, é outra forma de ver a sociedade e entender como será esse diálogo daqui a 20 ou 30 anos.

Web 2.0 e a nova forma social: um olhar antropológico

Como consequência da evolução, o crowdsourcing — a ideia de que todos podem criar — tornou-se uma estrutura tão importante que não levá-lo ao espaço corporativo seria como uma omissão irresponsável de caráter social.
E cada vez mais, para ter atenção na web — tamanha a quantidade de informação trafegada —, um indivíduo ou uma empresa precisa de pouca habilidade em design ou em programas de convergência entre áudio e vídeo. Por outro lado, necessita produzir conteúdos relevantes em pouco tempo. Como todos falam ou escrevem uns aos outros, em alguns casos o rumo da comunicação corporativa não está mais na mão do comunicador.
A divisão do conhecimento, para Pierre Lévy (1999), é o compartilhar, talvez a maior vantagem de toda a troca de informação na web. O autor cita a democratização de conteúdo, na qual encontrou um problema: a questão da língua. Apesar de o mundo estar hiperconectado, não compreender um idioma, qualquer que seja, pode dificultar toda a comunicação. A interligação existe, mas não há uniformidade de entendimento.
E agora, o desafio é tornar a inteligência coletiva capaz de observar-se, codificada em sons, textos, vídeos e produção de dados, tudo, enfim, o que compreende o mundo digital. É o dever do funcionamento da coletividade a favor do conhecimento humano.

Consequências da inovação: novos humanos, novos parâmetros

As companhias trabalham sob diferentes canais de relacionamento com os clientes. A forma de se comunicar atualmente é diferente. Há de se entender a percepção do público e, muitas vezes, é a própria comunidade de consumidores quem faz a conversação.
Não é de se surpreender que a resposta dos stakeholders venha com uma velocidade incrível, e é preciso sempre estar bem preparado. Desde o monitoramento digital para avaliação até as medidas de gerenciamento de crise, todos refletem novas métricas. Isso sem falar nos canais abertos com a comunidade, que facilitam o relacionamento. Todos querem dar uma opinião. É o lado democrático que aparece no meio dos negócios e revoluciona pela modernidade e transformação na comunicação.

A intranet social

Como forma de interação plena na gestão 2.0 de uma organização, está a criação de uma “intranet conceito”, com base colaborativa, com recursos e funcionalidades sociais que agregam produtividade e motivação aos colaboradores — uma forma de integração global, seja qual for o porte da corporação.
A receptividade de algumas empresas das redes customizáveis já é uma realidade. Companhias como Ikea, Accenture, Sodexo, Procter & Gamble e o HSBC já adotaram a nova rede interna como mudanças irreversíveis em suas culturas organizacionais. A transformação na comunicação interna exige mais do lado comportamental da empresa e do colaborador, e vai além de qualquer relação de trabalho: estabelece um novo relacionamento.
As redes mais completas conhecidas possibilitam que cada usuário tenha o seu próprio perfil virtual. Dessa forma, é possível aliar interesses pessoais e profissionais e interagir com colegas de outras áreas e países.
A produtividade é o primeiro benefício calculado. É o que faz a comunicação ser mais acelerada e direcional. Claro que cada rede muda de uma companhia para a outra, mas todas são iguais por tratar o conteúdo gerado por seus talentos como uma abertura democrática.
É bom por ora deixar alguns números e porcentagens de lado, sem pensar o quanto pode economizar uma empresa com uma rede de colaboração inteligente (e a economia não é pouca). O interessante é pensar no humano — seus objetivos, relacionamentos, prazos, metas — e na pessoa que, em seu trabalho, está disposta a crescer, errar e aprender.
Cada corporação também tem o seu modo próprio de adquirir conhecimento e promover a troca de informações em um patamar mundialmente abrangente. O ambiente social é o caminho mais firme e seguro, já que a comunicação consegue ser muito mais ágil e, no caso das multinacionais, o idioma não é problema. Pelo recurso de tradução real-time, as áreas dispostas em diferentes nacionalidades acabam falando a mesma língua.
Mas, ainda assim, a socialização com o novo ainda é um grande obstáculo para as empresas. Os executivos precisam ter uma visão direta dessa demanda da gestão 2.0 no corporativo. Tudo bem que é preciso trabalhar o bom senso dos colaboradores na rede, mas é preciso dar o primeiro passo: de que adianta não fazê-lo antecedendo o despreparo deles?

O Wiki e o mundo corporativo

Além de ser uma fonte de conhecimento geral, é também um repositório de informações da biografia da corporação. É muito possível apresentar para um novo colaborador a vida completa da companhia pelo Wiki, outro recurso inserido na “intranet conceito”. Além disso, todos podem escrever um pouco sobre o seu próprio caminho de carreira lá dentro, e vão, aos poucos, (re)escrevendo a história.
Marshall McLuhan “previu” o Wikipedia quando, em 1962, profetizou que o próximo meio de informação seria “a extensão da consciência coletiva” (McLUHAN; STAINES, 2005, p.98). Além disso, os autores remontam às redes como o YouTube ou os blogs, como forma de arte, com a criação e a exteriorização do pensamento: da mente para a tela, que se estende também para a TV e o celular.

Engajamento tecnológico como forma de reeducação

Apresentar aos colaboradores uma nova forma de ver e se comunicar requer tempo e, sim, muita paciência. É um processo de longo prazo, que reeduca a comunicação.
A campanha de engajamento, com cursos ou vídeos explicativos, é a primeira atitude que a companhia toma. A organização nas ideias é a segunda ação, até porque a rede em si incentiva a explosão de novas opiniões e traz uma desorganização positiva.
Exemplificando o diálogo, o gerente da área “X” pode deixar uma mensagem formal no perfil do seu colega da área “Y” sobre um relatório, e postar um texto bem humorado sobre inovação em seu blog. Isso ao mesmo tempo em que subiu um vídeo de um café da manhã com gerentes ou uma conversa com o presidente da empresa. Esses textos e vídeo ficarão acessíveis aos usuários. Quem perdeu o conteúdo relevante do encontro poderá ter acesso por essa “cobertura”.
Pelo informalismo ao qual se propõe a rede, não é necessário ser um grande entendedor para saber lidar com ela. Além da intuição, as funcionalidades são feitas sob medida, fruto do trabalho árduo de análise e pesquisa de um bom designer de user experience, para saber as necessidades comunicacionais, além de facilitar e aperfeiçoar o uso na intranet.
Fora as funcionalidades apresentadas, o colaborador, como toda a companhia, tem acesso a um rico complexo de trabalho que une motivação, integração, conhecimento e interatividade.
Tudo em suas mãos!

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